segunda-feira, 19 de outubro de 2009

TriWorkshop


Após a bombástica noite de arranque deste novo ano de Grupo de Jovens, vamos dar início às nossas reuniões de grupo de jovens, contudo com algumas surpresas.

Uma delas, e à qual vos venho convidar a participar é o:

O TriWorkshop consiste em secções de 3 dias onde aprofundamos vários temas mas de uma forma mais intensa. O primeiro TriWorkshop vai ser já amanhã (dia 20) às 21:15 na Igreja Matriz de Barcarena, que vai ter uma continuidade para os dias 21 e 22 (sempre à mesma hora).

Pronto, já perceberam a ideia? Terça, quarta e quinta-feira encontramo-nos todos à mesma hora na igreja e, muito importante, se por alguma razão tiverem de faltar a algum dos dias, não se preocupem: o assunto que vamos debater nestes 3 dias será o mesmo mas cada dia é individual logo não se sentirão "perdidos" no dia a seguir.

Não percam o TriWorkshop por nada!; posso adiantar que vamos ter alguns convidados e que vão ser desvendados alguns segredos da nossa paróquia!!

Contamos com a presença de todos.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Xutos e Pontapés

Olá pessoal!

Tal como combinado, hoje arrancamos com a primeira actividade de chutos na bola e pontapés no stress.
Como tal, o ponto de encontro é às 21:15 na Igreja de Tercena, para depois irmos à Praia de Carcavelos.

Até já!

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Tudo começa agora....

“Mestre, onde Moras?”
"Vinde e Vereis"
Igreja de Barcarena, Dia 10 de Outubro, 21horas.
Esperam-te mudanças radicias!!! Estás preparado?
Grupo de Jovens de Barcarena


quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Palavra de Vida de Outubro de 2009

«Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas»
(Lc 21, 19) (1)

“Perseverança”. É a tradução da palavra grega original, que inclui também outros significados: a paciência, a constância, a resistência e a confiança.

A perseverança é necessária e indispensável quando se tem um sofrimento ou uma tentação, ou se tem a tendência para desanimar. E também quando se é aliciado pelas seduções do mundo, quando se é perseguido.

Penso que cada um de nós já se encontrou em pelo menos uma dessas circunstâncias, e por isso já experimentou que, sem a perseverança, poderia muito bem ter sucumbido. Talvez até já cedemos algumas vezes. Ou pode ser que, neste preciso momento, nos encontremos mesmo numa dessas dolorosas situações.

E então, o que fazer? Recomeçar e… perseverar. De outra forma não é válido para nós o nome de “cristão”.

Sabemos muito bem que: quem quer seguir Cristo deve pegar todos os dias na sua cruz, deve amar – pelo menos com a vontade – o sofrimento. A vocação cristã é uma vocação para a perseverança.

Paulo, o apóstolo, apresenta à comunidade a sua perseverança, como sinal de autenticidade cristã. E não tem medo de a colocar no mesmo plano que os milagres. Quando amamos a cruz e perseveramos, podemos seguir Cristo que está no Céu, e, portanto, salvarmo-nos.

«Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas».

Podem distinguir-se duas categorias de pessoas: as que sentem o convite para serem verdadeiros cristãos, mas em cujas almas este convite cai como uma semente num terreno cheio de pedras. Há muito entusiasmo, semelhante a um fogo de palha, e depois não fica nada.

Por outro lado, há aquelas que recebem o convite como um terreno bom recebe a semente. E a vida cristã germina, cresce, ultrapassa as dificuldades e resiste às tempestades. Estas últimas possuem a perseverança e… «pela vossa perseverança salvareis as vossas almas».

Claro que, para perseverar, não nos podemos apoiar unicamente nas nossas forças. É necessária a ajuda de Deus. Paulo chama a Deus: «O Deus da perseverança» (2).

É a Ele, portanto, que devemos pedir a perseverança, e Ele não deixará de no-la dar.

Porque, se somos cristãos, não nos podemos contentar com o termos sido baptizados ou com uma ou outra prática esporádica de culto ou de caridade. É necessário crescermos como cristãos. E todo o crescimento, no campo espiritual, não existe se não for no meio de provas, sofrimentos, obstáculos e batalhas.

Quem sabe realmente perseverar são aqueles que amam. O amor não vê obstáculos, não vê dificuldades, não vê sacrifícios. E a perseverança é o amor posto à prova. (…) Maria foi sempre e é a mulher da perseverança.

Peçamos a Deus que acenda também no nosso coração o amor por Ele. Então a perseverança, em todas as dificuldades da vida, surgirá em nós como consequência, e com ela salvaremos a nossa alma.

«Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas».

Mas, além disso, a perseverança é contagiosa. Quem é perseverante encoraja também os outros a irem até ao fim. (…)

Temos que ter metas altas. Nós só temos uma única vida e também esta é breve. Cerremos os dentes dia após dia, enfrentemos todas as dificuldades que surgirem para seguir Cristo… e salvaremos as nossas almas.

Chiara Lubich

1) Palavra de Vida, Junho de 1979, publicada integralmente em Essere la Tua Parola. Chiara Lubich e cristiani di tutto il mondo, vol. II, Città Nuova, Roma 1982, pp. 25-28; 2) Rm 15, 5.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Palavra de Vida de Setembro de 2009

«Procurai primeiro o reino de Deus e a Sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo»
[Mt 6, 33]. (1)

Todo o Evangelho é uma revolução. Não há comparação possível entre as palavras de Cristo e as palavras dos homens. Ouçamos esta: «Procurai primeiro o reino de Deus e a Sua justiça, e todas estas coisas [as necessidades da vida] vos serão dadas por acréscimo».

A primeira preocupação das pessoas, em geral, é procurar ansiosamente aquilo que é necessário para dar segurança à sua existência. Talvez o mesmo se passe connosco. Pois bem, Jesus põe-nos perante o “Seu” modo de ver e oferece-nos o Seu modo de agir. Pede-nos uma atitude totalmente diferente daquela que é habitual, e que se deve manter não uma vez apenas, mas sempre. É esta: procurar primeiro o reino de Deus.

Quando estivermos orientados para Deus com todo o nosso ser e fizermos de tudo para que Ele reine (isto é, quando governarmos a nossa vida de acordo com as Suas leis) dentro de nós e nos outros, o Pai há-de dar-nos aquilo de que precisamos, dia após dia.

Se, pelo contrário, nos preocuparmos antes de tudo connosco, vamos acabar por tratar principalmente das coisas deste mundo e tornar-nos-emos vítimas delas. Acabaremos por ver nos bens desta Terra o “nosso” verdadeiro problema, a “finalidade” de todos os nossos esforços. E vai nascer dentro de nós a grave tentação de contar unicamente com as nossas forças e de viver como se Deus não existisse.

«Procurai primeiro o reino de Deus e a Sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo».

Jesus transforma completamente a situação. Se a nossa primeira preocupação for Ele, viver para Ele, então o resto vai deixar de constituir o problema principal da nossa existência. Será um “acréscimo”, ou um “acrescento”.

Será uma utopia viver assim? Será uma Palavra irrealizável, para nós, pessoas modernas, hoje, num mundo industrializado onde vigora a concorrência e se passa, muitas vezes, por crises económicas? Só quero lembrar que as dificuldades concretas de subsistência não eram muito menores para a gente da Galileia, quando Jesus pronunciou estas palavras.

Não se trata de saber se é utopia ou não. Jesus põe-nos perante a questão fundamental da nossa vida: ou vivemos para nós próprios, ou vivemos para Deus. Mas tentemos agora compreender bem esta Palavra: «Procurai primeiro o reino de Deus e a Sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo».

Jesus não nos leva ao imobilismo, à passividade para com as coisas terrenas, a uma conduta irresponsável ou superficial no trabalho.

Jesus quer substituir a “preocupação” pela “ocupação”, livrando-nos da ansiedade, do medo e da inquietação.

Na verdade, Ele diz: «Procurai “primeiro” o reino...».

O sentido de “primeiro” é “acima de todas as coisas”. A procura do reino de Deus é colocada no primeiro lugar e não exclui que o cristão deva também ocupar-se das necessidades da sua vida.

«Procurar o reino de Deus e a Sua justiça» significa, também, ter uma conduta conforme às exigências de Deus, que Jesus manifestou no Seu Evangelho.

Só se procurar o reino de Deus é que o cristão pode experimentar o maravilhoso poder de Deus em seu favor.

Vou-vos contar um episódio.

Passou-se já há bastante tempo, mas tem uma actualidade impressionante. De facto, conheço muitos jovens e crianças que ainda agora fazem como fazia aquela rapariga.

Chamava-se Elvira. Frequentava uma escola do magistério primário. Era pobre. Só poderia continuar os estudos se tivesse uma média alta. Ela tinha uma fé forte. O seu professor de Filosofia era ateu, de modo que, bastantes vezes, apresentava as verdades sobre Cristo e sobre a Igreja de uma maneira desfocada, quando não era mesmo deformada. O coração da rapariga fervia. Não por si, mas pelo amor a Deus, à verdade e às suas colegas. Apesar de saber bem que, contrariando o professor, poderia ter uma nota baixa, aquilo que ela sentia era mais forte do que ela. Em todas as ocasiões levantava a mão, pedindo a palavra: «Não é verdade, professor». Talvez não tivesse, algumas vezes, todos os argumentos para se opor às ideias do professor, mas naquele «não é verdade» estava a sua fé, que é uma oferta da verdade e faz pensar.

As colegas, que gostavam dela, procuravam dissuadi-la das suas intervenções para que não fosse depois prejudicada. Mas não conseguiam.

Passaram-se alguns meses. Chegou o momento de se afixarem as notas. A rapariga olhou a tremer. Depois, uma onda de alegria: obtivera a nota máxima!

Tinha procurado, acima de tudo, que Deus e a Sua Verdade reinassem, e o resto tinha vindo por acréscimo.

«Procurai primeiro o reino de Deus e a Sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo».

Se cada um de nós procurar o reino do Pai, poderá experimentar que Deus é Providência em todas as exigências da nossa vida. Descobriremos como são normais todas as coisas extraordinárias do Evangelho.

Chiara Lubich

1) Palavra de Vida, Maio de 1979, publicada em Essere la Tua Parola. Chiara Lubich e cristiani di tutto il mondo, vol. II, Città Nuova, Roma 1982. pp. 11-13.

sábado, 1 de agosto de 2009

Palavra de Vida de Agosto de 2009

«Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim» [Jo 13, 1] (1)

Quando é que o Evangelho apresenta esta frase? O evangelista João escreveu-a referindo-se ao momento em que Jesus ia lavar os pés aos seus discípulos e se preparava para a sua paixão.

Nos últimos momentos em que viveu com os seus, Jesus manifestou de modo supremo e mais explícito o amor que desde sempre nutria por eles.

«Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim».

As palavras «até ao fim» significam: até ao fim da sua vida, até ao seu último sopro de vida. Mas também existe nelas a ideia da perfeição. Querem dizer: amou-os completamente, totalmente, com uma intensidade extrema, até ao máximo.

Os discípulos de Jesus irão permanecer no mundo, enquanto Jesus vai para o Céu. Sentir-se-ão sós, terão que vencer muitas provas. É precisamente por causa desses momentos que Jesus quer dar-lhes a certeza do seu amor.

«Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim».

Não sentimos, também nós, nesta frase, o estilo de vida de Cristo, o seu modo de amar? Lavou os pés aos discípulos. O seu amor levou-o até ao ponto de fazer esse serviço que, naquele tempo, era reservado aos escravos. Jesus estava a preparar-se para a tragédia do Calvário, para dar aos «seus» e a todos, além das suas extraordinárias palavras, além dos seus próprios milagres, além de todas as suas obras, também a vida. Eles tinham necessidade dela, a maior necessidade que uma pessoa pode ter: a de ser libertada do pecado, ou seja, da morte, e poder entrar no Reino dos Céus. Deviam ter paz e alegria na Vida que nunca acabará. E Jesus entregou-se à morte, gritando o abandono do Pai, até ao ponto de, no fim, poder dizer: «Tudo está consumado».

«Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim».

Encontramos nestas palavras a tenacidade do amor de um Deus e a doçura do afecto de um irmão. Também nós, cristãos, podemos amar assim, porque Cristo está em nós.

Mas eu não pretendo propor que imitemos Jesus a morrer (quando chegou a sua hora) pelos outros. Não quero apresentar, necessariamente, como modelos, o Padre Kolbe, que morreu em substituição de um irmão prisioneiro, nem o Padre Damião, que, tendo-se tornado leproso com os leprosos, morreu com eles e por eles.

Pode acontecer que nunca, no decurso dos anos, nos seja pedido para oferecermos a nossa vida física pelos irmãos. Porém, aquilo que Deus nos pede, com certeza, é que os amemos profundamente, até ao fim, até ao ponto de podermos também dizer: «Tudo está consumado».

Foi o que aconteceu com a pequena Cetti, de 11 anos, de uma cidade italiana. Viu a sua amiguinha e colega Georgina, da mesma idade, muito triste. Quis tranquilizá-la, mas não conseguiu. Quis então ir até às últimas consequências e saber o motivo da sua angústia. Tinha-lhe morrido o pai, e a mãe deixara-a sozinha com a avó, tendo ido viver com outro homem. A Cetti pressente a tragédia e põe-se em acção. Embora pequena, pergunta à colega se pode falar com a sua mãe, mas a Georgina pede-lhe para a acompanhar primeiro à campa do pai. A Cetti segue-a com um amor muito grande e ouve a Georgina, em pranto, a implorar ao pai para a vir buscar.

O coração da Cetti ficou despedaçado. Havia ali uma pequena igreja meia destruí-da, e entraram. A única coisa intacta era um pequeno tabernáculo e um crucifixo. A Cetti disse: «Olha, tudo vai acabar por ficar destruído neste mundo; mas aquele crucifixo e aquele tabernáculo hão-de permanecer!». A Georgina, enxugando as lágrimas, respondeu: «Sim, tu tens razão!». Depois, delicadamente, a Cetti agarrou na mão da Georgina e acompanhou-a a casa da mãe dela. Quando lá chegaram, com muita decisão, dirigiu-lhe estas palavras: «Olhe, minha senhora, estas coisas não me dizem respeito. Mas eu só lhe quero dizer que a senhora deixou a sua filha sem o afecto materno de que ela tanto precisa. E digo-lhe mais uma coisa: a senhora nunca mais se vai sentir em paz, enquanto não a levar consigo e não se arrepender».

No dia seguinte a Cetti apoiou com amor a Georgina, quando a encontrou na escola. Mas eis um facto novo: um carro veio buscar a Georgina – quem estava ao volante era a mãe. E, daquele dia em diante, o carro voltou sempre, porque agora a Georgina vive com a sua mãe, que abandonou de-ci-didamente a amizade com aquele homem.

Sobre a pequena e grande acção da Cetti pode-se dizer: «Tudo está consumado». Fez bem todas as coisas. Até às últimas consequências. E teve êxito.

Pensemos nisto. Quantas vezes começámos a interessar-nos por uma pessoa, e depois abandonámo-la, enganando a nossa consciência com mil e uma desculpas? Quantas acções já iniciámos com entusiasmo, mas depois desistimos diante de dificuldades que pareciam superiores às nossas forças?

A lição que hoje Jesus nos dá é esta:

«Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim».

Façamos o mesmo.

E se um dia Deus nos pedir realmente a vida a sério, não hesitaremos. Os mártires iam ao encontro da morte a cantar. E o prémio será a maior glória. Porque Jesus disse que ninguém no mundo tem maior amor do que aquele que derrama o seu sangue pelos seus amigos.

Chiara Lubich

1) Palavra de Vida, Abril de 1979, publicada em Essere la Tua Parola. Chiara Lubich e cristiani di tutto il mondo, vol. I, Città Nuova, Roma 1980, pp. 203-206.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Palavra de Vida de Junho de 2009

«Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em mim e Eu nele, esse dá muito fruto, pois, sem mim, nada podeis fazer» [Jo 15, 5]. (1)
Imaginemos um ramo separado da videira… Já não tem futuro, já não tem qualquer esperança, não tem fecundidade. Só lhe resta secar e ser queimado.

Imaginemos agora a que morte espiritual estamos destinados, como cristãos, se não estivermos unidos a Cristo. É assustador! É a completa esterilidade, mesmo que trabalhemos como mouros de manhã à noite, ou pensemos que estamos a servir a humanidade. Ou mesmo que os amigos nos aplaudam, e os bens terrenos se multipliquem ou façamos sacrifícios incríveis. Tudo isso pode ter um significado para nós, aqui na Terra, mas, para Cristo e para a eternidade, de nada vale. E é essa a vida mais importante.

«Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em mim e Eu nele, esse dá muito fruto, pois, sem mim, nada podeis fazer».

Como podemos permanecer em Cristo e Cristo permanecer em nós? Como podemos ser um ramo verde e viçoso que faça parte da videira? Antes de mais, é preciso acreditarmos em Cristo. Mas isso não basta. A nossa fé deve ter influência na dimensão concreta da vida. Isto é, temos que viver de acordo com a fé, pondo em prática as palavras de Jesus. Por isso, não podemos desprezar os meios divinos que Cristo nos deixou, através dos quais obtemos ou readquirimos a unidade com Ele, no caso de a termos perdido. Além disso, Cristo não nos considera bem ligados a Ele se não nos esforçarmos por estar inseridos na comunidade eclesial, na nossa Igreja local.

«Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em mim e Eu nele, esse dá muito fruto, pois, sem mim, nada podeis fazer».

«Quem permanece em Mim e eu nele». Já repararam que Cristo fala da nossa unidade pessoal com Ele, mas também da Sua unidade pessoal connosco? Se estivermos unidos a Ele, Ele estará em nós, no íntimo do nosso coração. Nasce assim uma relação e um colóquio de amor recíproco, uma colaboração entre Jesus e nós, seus discípulos. E as consequências vão ser: dar muito fruto. Precisamente como um ramo bem unido produz cachos saborosos. “Muito fruto”, significa que nos será dada uma verdadeira fecundidade apostólica, isto é, uma capacidade de abrir os olhos de muitos às palavras únicas e revolucionárias de Cristo, e estaremos em condições de lhes dar a força para as seguirem. “Muito fruto” significa ainda que saberemos suscitar ou até edificar obras, pequenas ou grandes, para diminuir as mais variadas necessidades do mundo, segundo os talentos que Deus nos der. “Muito fruto” significa “muito”, não “pouco”. E isso pode querer dizer que saberemos criar na humanidade que nos circunda uma corrente de bondade, de comunhão, de amor recíproco.

«Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em mim e Eu nele, esse dá muito fruto, pois, sem mim, nada podeis fazer».

Mas “muito fruto” não significa só o bem espiritual e material dos outros. Significa também o nosso, de cada um. O facto de crescermos interiormente, de nos santificarmos pessoalmente, depende também da nossa união com Cristo. Santificarmo-nos. Talvez essa palavra, nos tempos que correm, pareça um anacronismo, uma inutilidade ou uma utopia. Mas não. A nossa época presente vai passar e com ela as opiniões parciais, erradas, contingentes. Permanece a verdade. Há dois mil anos, Paulo, o Apóstolo, dizia claramente que é vontade de Deus para todos os cristãos a santificação. Santa Teresa d’Ávila, doutora da Igreja, tinha a certeza que toda a gente, até qualquer pessoa da rua, podia chegar à mais alta contemplação. O Concílio Vaticano II afirma que todo o povo de Deus é chamado à santidade. São opiniões seguras.

Procuremos então produzir, também na nossa vida, o “muito fruto” da santificação, que só será possível se estivermos unidos a Cristo.

«Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em mim e Eu nele, esse dá muito fruto, pois, sem mim, nada podeis fazer».

Repararam que Jesus não nos pede directamente o fruto, mas vê-o como consequência do permanecermos unidos a Ele? Até nos pode acontecer cair no erro em que muitos cristãos se encontram: activismo, activismo, obras, obras para o bem dos outros… sem se ter tempo de verificar se em tudo e para tudo se está unido a Cristo.

É um erro. Pensa-se que se dá fruto, mas não é aquele fruto que Cristo em nós, Cristo connosco, poderia dar. Para dar frutos duradoiros, com um timbre divino, é preciso permanecermos unidos a Cristo. Quanto mais unidos a Cristo estivermos, mais frutos produzimos.

Além disso, o verbo “permanecer”, que Jesus usa, mais do que referir-se a alguns momentos em que se produzem frutos, dá a ideia de um estado permanente de fecundidade. Realmente, se conhecermos pessoas que vivem assim, verificamos que elas, talvez só com um simples sorriso, com uma palavra, com o comportamento habitual do dia-a-dia, com a sua atitude perante as várias situações da vida, impressionam de tal forma os outros, que os levam, muitas vezes, a reencontrarem-se com Deus. Foi o que se passou com os santos. Mas não nos devemos desencorajar. Até os cristãos comuns podem dar frutos.

Dou-vos um exemplo. Passa-se em Portugal. Todos sabemos que o mundo estudantil está muito influenciado pela política e há pouco espaço para quem queira tornar-se útil à humanidade, movido por outros motivos.

A Maria do Socorro, acabado o secundário, entrou na universidade. O ambiente é difícil. Muitos dos seus colegas lutam, seguindo a própria ideologia e cada um procura arrastar atrás de si os estudantes que ainda não se pronunciaram.

A Maria sabe bem que caminho seguir, embora não seja fácil de explicar: seguir Jesus e permanecer unida a Ele. Os seus colegas, que não conhecem nada das suas ideias, consideram-na amorfa, sem ideias. Houve momentos em que experimentou o respeito humano, sobretudo ao entrar na igreja. Mas continuou a ir lá, porque sentia que devia permanecer unida a Jesus.

Aproxima-se o Natal. A Maria dá-se conta de que há entre eles alguns que não podem ir a casa, porque são de muito longe e propõe, aos outros colegas, darem uma prenda aos que não iam a casa. Com grande surpresa, todos aceitaram imediatamente. Mais tarde, vieram as eleições e outra grande admiração: foi eleita, precisamente ela, para representante do seu curso. Mas o espanto foi ainda maior quando ouviu dizer: «É lógico que tenhas sido eleita tu, porque és a única que tem uma linha precisa, que sabe aquilo que quer e o que fazer para o realizar». Alguns dos seus colegas interessaram-se pelo seu ideal e querem viver como ela. Foi um bom fruto da perseverança da Maria do Socorro em permanecer unida a Jesus.

Chiara Lubich

1) Palavra de Vida, Fevereiro de 1979, publicada em Essere la Tua Parola. Chiara Lubich e cristiani di tutto il mondo, vol. I, Città Nuova, Roma 1980, pp. 175-178.