quarta-feira, 13 de maio de 2009

MENINOS E MENINAS!

TODAS AS QUINTAS-FEIRAS DE MAIO O TERÇO É A NOSSA MISSÃO!!
21 horas---» Queluz de Baixo!!!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Palavra de Vida de Maio de 2009

«Como bons administradores das várias graças de Deus, cada um de vós ponha ao serviço dos outros o dom que recebeu» [1 Pe 4, 10]. (1)

A Edite, cega de nascença, vive, com outras invisuais, numa casa cujo capelão já não pode celebrar a Missa, pois ficou paralisado das pernas.
Por esse motivo, foi decidido tirar-se Jesus Eucaristia da casa.
A Edite apelou ao bispo, para que O deixassem ficar, pois era a única luz nas trevas em que vivem.
Obteve a autorização e também a licença para ser ela mesma a distribuir a Comunhão, às suas colegas e ao capelão.
Desejosa de ser útil aos outros, a Edite conseguiu também ter à sua disposição, durante algumas horas, o tempo de emissão de uma estação particular de rádio.
Serve-se dele para oferecer aquilo que tem de melhor: conselhos, pensamentos válidos, esclarecimentos morais.
Conforta, com a sua experiência, aqueles que sofrem.
A Edite... e poderia contar mais coisas sobre ela.
E é cega, mas o sofrimento iluminou-a.
Mas quantos outros exemplos teria para vos contar!
O bem existe e não faz barulho.
A Edite, no fundo, vive simplesmente como cristã: sabe que cada um de nós recebeu alguns talentos e pode pô-los ao serviço dos outros.
Sim, porque por "talento" ou "dom" (ou "carisma", como se costuma dizer, usando a palavra grega) não se entende só aquelas graças com que Deus enriquece as pessoas que devem governar a Igreja.
Nem sequer são apenas aqueles dons extraordinários que Ele manda directamente a um ou outro fiel, para o bem de todos, quando considera que é necessário remediar, na Igreja, situações excepcionais ou perigos graves, para os quais não são suficientes as instituições eclesiásticas.
São exemplos destes a sabedoria, a ciência, o dom dos milagres, falar línguas, o carisma de suscitar uma nova espiritualidade na Igreja e outros ainda.
Mas dons, ou carismas, podem ser qualidades mais simples, que muitas pessoas possuem e que se notam só pelo bem que produzem.
O Espírito Santo trabalha.
Além disso, também se podem chamar dons ou carismas aos talentos naturais.
Portanto, toda a gente é dotada.
Também cada um de nós.
E que uso lhes devemos dar?
Temos que pensar como fazê-los render.
Foram-nos dados, não para nós próprios, mas precisamente para o bem de todos.

«Como bons administradores das várias graças de Deus, cada um de vós ponha ao serviço dos outros o dom que recebeu».

É muito grande a variedade dos dons.
Cada um de nós tem o seu e, por isso, tem uma função específica na comunidade.
E qual será o caso pessoal de cada um?
Tens algum diploma?
Nunca pensaste em pôr à disposição, de quem não sabe ou que não tem meios para estudar, algumas horas semanais de ensinamento?T
ens um coração particularmente generoso?
Nunca pensaste em mobilizar forças ainda válidas em favor de gente pobre ou marginalizada, ressuscitando assim, no coração de muitos, o sentido da dignidade do homem?(...)
Tens dotes particulares para confortar o próximo?
Ou para arrumar a casa, para cozinhar, para fazer vestuário útil com pouco dinheiro, ou para trabalhos manuais?
Olha ao teu redor e vê quem precisa de ti.
Sinto muita pena quando vejo que há gente que procura e ensina a preencher o "tempo livre".
Nós, cristãos, não temos tempo livre enquanto houver sobre a Terra um doente, um faminto, um prisioneiro, um ignorante, alguém com dúvidas ou triste, um drogado, (...) um órfão, uma viúva...
E não acham que a oração é um dom formidável que podemos utilizar, já que a todo o momento nos podemos dirigir a Deus, presente em toda a parte?(...)

«Como bons administradores das várias graças de Deus, cada um de vós ponha ao serviço dos outros o dom que recebeu».

Imaginem agora a Igreja em que todos os cristãos, crianças e adultos, fazem tudo o que podem para pôr à disposição dos outros os seus dons?
O amor recíproco adquiriria uma tal consistência, uma tal amplitude e relevo, que (...) poderiam reconhecer, através dele, os discípulos de Cristo. (...) E, então, se o resultado era esse, por que motivo não fazemos tudo o que está ao nosso alcance para o conseguir?


Chiara Lubich

1) Palavra de Vida, Janeiro de 1979, publicada integralmente em Essere la Tua Parola. Chiara Lubich e cristiani di tutto il mondo, vol. I, Roma 1980, pp. 157-159.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Palavra de Vida de Abril de 2009

«Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor»[Mt 24, 42]. (1)

Já repararam que, em geral, nós não vivemos a vida? Arrastamo-la, à espera de um "mais tarde", em que talvez cheguem "dias melhores".É verdade que há-de vir um futuro melhor, mas não é aquele que imaginamos. Temos um instinto divino que nos leva a esperar alguém ou qualquer coisa que nos possa satisfazer.E sonhamos talvez com um dia feriado, ou em ter tempo livre, ou com um encontro especial, depois dos quais não ficamos satisfeitos, totalmente sa-tisfeitos. E voltamos à rotina de uma existência que não se vive com convicção. Está-se sempre à espera.O facto é que, entre os elementos que compõem a vida de cada pessoa, existe um a que ninguém pode escapar: é o encontro pessoal com o Senhor que vem. São esses os "dias melhores" para os quais inconscientemente tendemos, porque somos feitos para a felicidade. Porque só Deus nos pode dar a felicidade total.E Jesus, sabendo muito bem que todos andamos cegamente à procura da felicidade, avisa-nos:

«Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor».

Vigiar. Estar atentos. Estar acordados. Porque há muitas coisas de que não temos a certeza neste mundo. Mas de uma, realmente, não há dúvida: um dia vamos morrer. E isto, para o cristão, significa apresentar-se diante de Cristo que vem.Pode acontecer que também nós sejamos como a maioria das pessoas: fazemos por esquecer a morte, voluntariamente, de propósito. Temos medo daquele momento e vivemos como se não existisse. Queremos afirmar com a nossa vida terrena, enraizando-nos cada vez mais nela, que a morte nos assusta, e, portanto, não existe. Mas aquele momento vai chegar. Porque Cristo virá certamente.

«Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor

Com estas palavras, Jesus refere-se à Sua vinda no último dia. Tal como subiu ao Céu, quando estava no meio dos apóstolos, assim há-de voltar.Mas estas palavras querem dizer também a vinda do Senhor no fim da vida de cada pessoa. De facto, quando uma pessoa morre, para ela o mundo acabou. E já que não sabemos se Cristo vem hoje, esta noite, amanhã, ou dentro de um ano ou mais, temos que vigiar. Precisamente como aqueles que estão alerta, porque sabem que os ladrões vão vir esvaziar-lhes a casa, mas não sabem a que horas vão chegar. E se Jesus vem, quer dizer que esta vida é passageira. Mas, se o é, em vez de a desvalorizarmos, devemos dar-lhe a máxima importância. Temos que nos preparar para aquele encontro com uma vida digna.(...)

«Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor».

É mesmo necessário que cada um vigie. A nossa vida não é simplesmente uma pacífica sucessão de actos. É também uma luta. E as mais variadas tentações, como as sexuais, as da vaidade, do apego ao dinheiro, da violência, são os nossos primeiros inimigos.Se vigiarmos sempre, não nos deixamos apanhar de surpresa. Mas vigia bem quem ama. É próprio do amor vigiar.Quando se ama uma pessoa, o coração vigia sempre à sua espera e, cada minuto que passa sem ela, é vivido em função dela. Assim faz uma esposa apaixonada quando trabalha ou prepara aquilo que poderá servir ao seu esposo ausente: faz cada coisa a pensar nele. E, quando ele chega, na sua saudação exultante está todo o alegre trabalho do dia.Assim faz uma mãe quando tem um pequeno intervalo para repousar, durante a assistência ao seu filhinho doente. Dorme, mas o seu coração vigia.Assim age quem ama Jesus. Faz tudo em função d'Ele, que encontra nas manifestações mais simples da Sua vontade em cada momento, e encontrará solenemente no dia em que Ele vier.Estávamos a 3 de Novembro de 1974. Tinha terminado, em Santa Maria, no sul do Brasil, um encontro espiritual com 250 jovens, e a maioria vinha da cidade de Pelotas.O primeiro autocarro, com 45 pessoas, começa a sair: muitas canções, muita alegria. A um certo ponto, durante a viagem, algumas jovens rezam juntas os mistérios dolorosos do terço e pedem a Nossa Senhora a fidelidade a Deus, até à morte. Numa curva, devido a uma avaria mecânica, o autocarro precipita-se num barranco de cerca de cinquenta metros, virando-se três vezes. Morreram seis raparigas.Uma das sobreviventes disse: «Vi a morte de perto, mas não tive medo porque Deus estava ali». Uma outra: «Quando percebi que podia mexer-me, no meio dos destroços, olhei para o céu estrelado e, ajoelhada entre os corpos das minhas companheiras, rezei. Deus estava ali, perto de nós...». O pai da Carmen Regina, uma das vítimas, contou que a filha repetia muitas vezes: «É bonito morrer, papá, porque vamos ficar perto de Jesus».

«Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor».

As jovens de Pelotas, porque amavam, vigiavam, e, quando o Senhor veio, foram ao Seu encontro com alegria.


Chiara Lubich

1) Palavra de Vida, Dezembro de 1978, publicada integralmente em Essere la Tua Parola. Chiara Lubich e cristiani di tutto il mondo, vol. I, Roma 1980, pp. 137-140.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Oração..... Sextas às 21.30!!

Noites de Oração



De que forma queres passar a tua 6ªfeira?


não queres vir ter connosco?

Às 21.30h na Igreja de Barcarena

domingo, 1 de março de 2009

Palavra de Vida de Março de 2009

«Se pedirdes alguma coisa ao Pai em Meu nome, Ele vo-la dará» [Jo 16, 23]. (1)

O mais absurdo espectáculo a que podemos assistir neste mundo é, por um lado, a presença de pessoas à deriva, sempre à procura de qualquer coisa e que, nas inevitáveis provações da vida, sentem a angústia, a necessidade de ajuda e a sensação de orfandade; e, por outro lado, a realidade de Deus, Pai de todos, que outra coisa não deseja senão usar da Sua omnipotência para satisfazer os desejos e as necessidades dos Seus filhos.

É como um vazio que requer uma plenitude. É como uma plenitude que requer um vazio. Mas que não se encontram.

A liberdade de que o homem é dotado pode provocar também este dano.

Mas Deus não cessa de ser Amor para aqueles que O reconhecem.

Oiçamos o que diz Jesus:

«Se pedirdes alguma coisa ao Pai em Meu nome, Ele vo-la dará».

Estamos perante uma daquelas palavras ricas de promessas que Jesus repete de vez em quando no Evangelho. Através delas ensina-nos, com tonalidades e explicações variadas, como obter aquilo de que precisamos.

(…)

Só Deus pode falar assim. As Suas possibilidades não têm limites. Todas as graças estão em Seu poder: as graças terrenas, as graças espirituais, as possíveis e as impossíveis. Mas temos que ouvir com atenção.

Ele sugere-nos “como” nos devemos apresentar ao Pai para fazer o nosso pedido. «Em Meu nome», diz.

Se tivermos um pouco de fé, estas palavras podem dar-nos asas.

No fundo, Jesus, que viveu aqui na Terra connosco, tem pena de nós. Ele conhece as infinitas necessidades que nós temos, que cada um tem. E então, em tudo aquilo que se refere à oração, interessou-se Ele directamente e é como se nos dissesse: «Vai ter com o Pai em Meu nome e pede-Lhe isto, e mais aquilo, e mais aquilo». Ele sabe que o Pai não pode dizer-Lhe que não. Ele é o Seu Filho e é Deus.

Não vamos ter com o Pai em nosso nome, mas em nome de Cristo. Lembram-se do provérbio: «Quem é mensageiro não merece castigo»?

Nós, indo ter com o Pai em nome de Cristo, funcionamos como um simples mensageiro. Os negócios resolvem-se entre os dois interessados.

É assim que rezam muitíssimos cristãos que poderiam testemunhar-nos as graças sem número que receberam. Essas graças revelam, quotidianamente, que sobre eles vigia atenta e amorosamente a paternidade de Deus.

«Se pedirdes alguma coisa ao Pai em Meu nome, Ele vo-la dará».

A este ponto pode ser que alguém me diga: «Eu já pedi, pedi até no nome de Cristo, mas não recebi nada».

Pode acontecer. Eu disse já que Jesus, noutros passos do Evangelho, convida a pedir e dá em seguida explicações, que talvez nos tenham escapado.

Ele diz, por exemplo, que recebem, aqueles que «permanecem» n’Ele – quer dizer, na Sua vontade.

(…)

Ora, pode ser que tenhamos pedido uma coisa que não esteja de acordo com o desígnio que Deus tem sobre nós e Deus não considera útil à nossa existência nesta Terra ou na Outra vida, ou ache até prejudicial.

Como poderia Ele, que é nosso Pai, atender-nos nesses casos? Estaria a enganar-nos. E isso Ele nunca vai fazer. Então será melhor que, antes de rezarmos, combinemos com Ele e Lhe digamos: «Pai, eu gostaria de Te pedir isto em nome de Jesus, se Te parecer oportuno». E, se a graça pedida se conciliar com o plano que Deus, no seu Amor, pensou para nós, realizar-se-á a Palavra:

«Se pedirdes alguma coisa ao Pai em Meu nome, Ele vo-la dará».

Pode acontecer também que peçamos graças, mas não tenhamos a mínima intenção de adequar a nossa vida àquilo que Deus pede.

Também neste caso, achavam justo que Deus nos atendesse? Ele não nos quer dar simplesmente um presente, quer oferecer-nos a felicidade total. E esta obtém-se procurando viver os mandamentos de Deus, as Suas Palavras. Não basta só pensar nelas, nem limitar-se a meditá-las. É necessário vivê-las.

Se assim fizermos, havemos de obter tudo.

Concluindo: queremos obter graças? Podemos pedir tudo o que quisermos, em nome de Cristo, se fixarmos antes de mais a nossa atenção na Sua vontade, com a decisão de obedecer à lei de Deus. Deus fica felicíssimo por nos dar graças. Infelizmente, na maioria das vezes somos nós que Lhe fechamos as nossas mãos.

Chiara Lubich

1) Palavra de Vida, Novembro de 1978, publicada integralmente em Essere la Tua Parola. Chiara Lubich e cristiani di tutto il mondo, vol. I, Roma 1980, pp. 123-126.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Palavra de Vida de Fevereiro de 2009

«Se alguém vem ter Comigo
e não Me prefere a seu pai, mãe,
esposa, filhos, irmãos, irmãs,
e até à própria vida,
não pode ser Meu discípulo».


Que vos parece? São palavras
tremendamente exigentes,
radicais, inéditas! No entanto,
aquele Jesus que declarou indissolúvel
o matrimónio e deu o mandamento
de amar a todos, e, portanto,
de amar especialmente os pais,
aquele mesmo Jesus pede agora que
se ponham em segundo lugar todos
os afectos belos da Terra, sempre
que forem um impedimento ao amor
directo, imediato a Ele. Só Deus
podia pedir tanto.
Na verdade, Jesus desenraíza
as pessoas do seu modo natural de
viver e quere-as ligadas, antes de
mais, a Ele, para realizar na Terra a
fraternidade universal.
Por isso, onde quer que encontre
um obstáculo ao seu projecto,
Deus “corta”, e no Evangelho Jesus
fala de «espada», espiritual, claro.
E chama «mortos» àqueles que
não O souberem amar mais do que
à mãe, à esposa, à vida. Lembram-
-se daquele homem que pediu para
sepultar o pai antes de O seguir? Foi
a ele que Jesus respondeu: «Deixa
que os mortos sepultem os
seus mortos» (2).

Perante uma tão grande exigência,
podemos sentir um arrepio de
medo, ou pensar que estas palavras
de Jesus só eram compreensíveis
naquela época, ou por aqueles que O
seguissem de um modo especial.
Mas não é assim. Esta frase é
válida para todas as épocas, e também
para os dias de hoje. E vale para
todos os cristãos, também para nós.
Nos tempos que correm podem
surgir muitas ocasiões para pôr em
prática o convite de Cristo.
Vives numa família onde há
alguém que contesta o cristianismo?
Jesus quer que tu o testemunhes
com a vida e, no momento oportuno,
com a palavra, mesmo à custa de
seres ridicularizado ou caluniado.
És mãe e o teu marido convida-te
a interromper a gravidez? Obedece a
Deus, e não aos homens.
Um irmão teu quer que te juntes
a um grupo com fins pouco claros,
ou mesmo reprováveis? Não te
deixes envolver. Há alguém da tua
família que te convida a arranjar
dinheiro pouco limpo? Mantém a tua
honestidade. Toda a tua família
quer arrastar-te para uma vida
mundana? Não vás, para que Cristo
não se afaste de ti.

«Se alguém vem ter Comigo
e não Me prefere a seu pai, mãe,
esposa, filhos, irmãos, irmãs,
e até à própria vida,
não pode ser Meu discípulo».



Pertencias a uma família descrente
e a tua conversão a Cristo
causou a divisão? Não te assustes.
É um efeito do Evangelho.
Oferece a Deus o sofrimento
que sentes no coração por aqueles
que amas, mas não cedas.
Cristo chamou-te a Si de um
modo especial, e agora chegou o
momento em que a tua doação total
exige que deixes o pai e a mãe, ou
talvez que renuncies à namorada.
Faz a tua escolha.
Sem combate, não há vitória.

«Se alguém vem ter Comigo
e não Me prefere a seu pai, mãe,
esposa, filhos, irmãos, irmãs,
e até à própria vida,
não pode ser Meu discípulo».


«… e até à própria vida».
Vives num lugar de perseguição
e o facto de te expores por
Cristo põe em perigo a tua vida?
Coragem. Às vezes a nossa fé pode
pedir também isto. Na Igreja, a
época dos mártires nunca acabou
completamente.
Cada um de nós, ao longo da
sua vida, há-de ter que escolher
entre Cristo e tudo o resto, para
permanecer um cristão autêntico.
Portanto, também para ti há-de
chegar esse momento.
Não tenhas medo. Não receies
perder a vida, porque mais vale
perdê-la por Deus do que nunca
mais a encontrar. A outra Vida é
uma realidade.
E não te aflijas com os teus
familiares. Deus ama-os. Se tu O
souberes preferir a eles, chegará o
dia em que Deus há-de passar por
eles para os chamar com as palavras
fortes do Seu Amor. E tu poderás
então ajudá-los a tornarem-se,
também, verdadeiros discípulos de
Cristo.


Chiara Lubich


1) Palavra de Vida, Outubro de 1978, publicada em Essere la Tua Parola. Chiara Lubich e cristiani di tutto
il mondo, vol. I, Roma 1980, pp. 111-113; 2) Lc 9, 60.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Palavra de Vida de Janeiro de 2009

«Há, pois, muitos membros, mas um só corpo» [1 Cor 12, 20]. (1)

Por acaso já estiveram alguma vez em contacto com uma comunidade viva de cristãos, de cristãos autênticos? Nunca assistiram a uma reunião destes cristãos? Já tentaram compreender a vida deles?

Se já, devem ter reparado que, entre aqueles que a constituem, existem muitas funções: há os que têm o dom da palavra e conseguem comunicar realidades espirituais de uma forma que nos toca profundamente. Há aqueles que têm o dom de ajudar, de dar assistência, de ir ao encontro das necessidades dos outros e nos deixam admirados com aquilo que conseguem, em benefício de quem sofre. Há quem saiba ensinar com uma tal sabedoria que infunde uma nova força na fé que já possuímos. Uns, têm a arte de organizar, outros, de governar. Há aqueles que sabem compreender as pessoas com quem contactam e distribuem consolação aos corações atribulados.

Sim, podemos experimentar tudo isto, mas aquilo que mais impressiona, numa comunidade realmente viva, é o único espírito que em todos reina e que parece que se sente pairar, e que faz daquela pequena e original sociedade uma coisa só, um único corpo.

«Há, pois, muitos membros, mas um só corpo».

Também S. Paulo, de uma maneira especial, se encontrou diante de comunidades muito vivas, que nasceram precisamente através da sua extraordinária palavra.

Uma destas era a jovem comunidade de Corinto, onde o Espírito Santo não tinha sido parco ao distribuir os seus dons ou carismas, como são chamados. Tanto mais que, naquele tempo, alguns destes se manifestavam de forma extraordinária, por causa da vocação especial da Igreja que estava a nascer.
Mas esta comunidade, depois de fazer a exaltante experiência dos vários dons distribuídos pelo Espírito Santo, conheceu também rivalidades e desavenças, precisamente entre quem tinha recebido esses dons.
Foi então necessário dirigirem-se a S. Paulo, que estava em Éfeso, para lhe pedirem esclarecimentos.
S. Paulo não hesita e responde com uma das suas extraordinárias cartas, explicando como devem ser usadas estas graças especiais.

Ele explica que existe uma diversidade de carismas, uma diversidade de ministérios, como o dos apóstolos, o dos profetas ou o dos mestres, mas que um só é o Senhor de Quem eles provêm. Diz que, na comunidade, existem os que fazem milagres, fazem curas; pessoas com uma aptidão excepcional para dar assistência, outras para o governo. E existem os que sabem falar línguas, e os que as sabem interpretar, mas acrescenta que eles têm origem no mesmo e único Deus.

E, se os vários dons são expressões do mesmo Espírito Santo, que os distribui livremente, então não podem deixar de estar em harmonia entre si, não podem deixar de ser complementares. Eles não são para uso pessoal, nem podem ser motivo de vaidade ou de auto-afirmação, mas foram concedidos para uma finalidade comum: construir a comunidade. A sua finalidade é o serviço. Portanto, não podem gerar rivalidades ou confusão.

S. Paulo, embora se referisse aos dons especiais que se destinavam mais precisamente à vida da comunidade, é da opinião que cada um dos seus membros tem uma capacidade própria, um talento específico, que deve pôr a render para o bem de todos, e que cada um deve estar contente com o seu. Ele apresenta a comunidade como um corpo e interroga-se: «Se o corpo inteiro fosse o olho, o que seria do ouvido? E, se todo ele fosse o ouvido, o que seria do olfacto? Deus, porém, dispôs os membros do corpo, cada um conforme entendeu. Se todos fossem um só membro, que seria do corpo?» (2). Pelo contrário:

«Há, pois, muitos membros, mas um só corpo».

Se cada um é diferente, cada um pode ser uma dádiva para os outros. Deste modo, cada um será o que deve ser, e pode realizar o projecto de Deus sobre si, em relação aos outros. E S. Paulo vê na comunidade, onde os diversos dons actuam, uma realidade a que dá um esplêndido nome: Cristo. O facto é que aquele original corpo que os membros da comunidade compõem é, realmente, o Corpo de Cristo. Pois Cristo continua a viver na sua Igreja, e a Igreja é o seu Corpo. Pelo Baptismo, o Espírito Santo incorpora o crente em Cristo e depois insere-o na comunidade. E nela todos são Cristo: todas as divisões são eliminadas, todas as discriminações ultrapassadas.

«Há, pois, muitos membros, mas um só corpo».

Se o corpo é um só, os membros da comunidade cristã realizam bem o seu novo modo de viver se actuarem entre eles a unidade, aquela unidade que pressupõe a diversidade, o pluralismo. A comunidade não se assemelha a um bloco de matéria inerte, mas a um organismo vivo com vários membros.
Para os cristãos, provocar divisões é o contrário daquilo que devem fazer.

«Há, pois, muitos membros, mas um só corpo».

Como deveremos então viver esta nova Palavra que a Escritura nos propõe?
É preciso que tenhamos muito respeito pelas várias funções, pelos dons e talentos existentes na comunidade cristã.

É necessário dilatar o nosso coração sobre toda a variada riqueza da Igreja, e não apenas a da pequena Igreja que frequentamos e conhecemos melhor – a comunidade paroquial ou a associação cristã a que estamos ligados, ou o Movimento eclesial de que somos membros. Dilatar o coração sobre a Igreja universal, nas suas múltiplas formas e expressões.

Devemos sentir tudo como nosso, porque fazemos parte deste único corpo.
Então, tal como temos em consideração e protegemos cada um dos membros do nosso corpo físico, do mesmo modo devemos fazer também com cada membro do corpo espiritual.

(…) Devemos ter estima por todos, fazer o que pudermos para que todos possam tornar-se úteis à Igreja, do melhor modo possível.

(…) Não devemos desprezar, no entanto, aquilo que Deus nos pede ali onde nos encontramos, por mais monótono e sem significado que possa parecer o nosso trabalho quotidiano. Todos pertencemos a um mesmo corpo e, como membros, cada um participa na actividade do corpo inteiro, permanecendo no lugar que Deus escolheu para ele.

O essencial, além de tudo, é que possuamos aquele carisma que, como anuncia S. Paulo, ultrapassa todos os outros, e que é o Amor: o amor por cada pessoa que encontrarmos, o amor por todas as pessoas da Terra. É com o amor, com o amor recíproco, que os muitos membros podem ser um só corpo (3).

Chiara Lubich

1) Palavra de Vida, Janeiro de 1981; 2) cf. 1 Cor 12, 17-19; 3) A versão integral (da qual, por exigências de espaço, transcrevemos aqui só alguns trechos) está publicada em: Chiara Lubich, Costruire sulla roccia, Roma 1983, pp. 17-21.